pequenos delírios poéticos

16/01/2011

Residual

longelíneo, oblíquo
olhos de raposa traiçoeira 
enxergam a alma 
pensar por um segundo que a vida pode mudar
estruturar a ação e paralelamente descrever versos concisos que atinjam sua função maior.
Libertar o que há contido no breu da alma aniquilada
medo da dor
solidão infinda, cíclica melodia do amor silenciado pelo movimento brusco e cruel
expurgar os males deixados não é tarefa simples
tenho pra mim que os resquícios permanecem
decifra-me raposa
tenho em mim as respostas de sua dor
Decadence avec elegance!
No meio de tantas nuances me enxergo desigual
talvez o amor seja assim, residual.


Escrito por Ramon Dias às 00h25
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09/08/2010

Possibilidade

Calar possível dizer se é

Dizer calar se possível é

É calar possível dizer se

Se dizer é possível calar

Possível é dizer se calar

 

 

 


Escrito por Ramon Dias às 23h44
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26/12/2009

Eva

Erva da ninha, minha vida aniquila
A Eva do homem solitário
A Eva de todos os homens


Escrito por Ramon Dias às 15h38
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17/08/2009

Define

Algo complexo que demanda tempo e muita investigação.
Um quasar pulsando loa, fino menino.
Inclino-me sempre pro lado do sim!
Uma bossa nova atualmente ultrapassada?!
Cosmopolita, sem lugar certo me vejo em cada esquina da cidade
ando por ela prestando atenção em cores que nem sei o nome.
Errei, ainda erro, mas acerto também.
Erros e acertos são filhos do mesmo pai?
Vou sorrir, vou cantar.
Vou abandonar a casa da dor e deixar o sol entrar...
Cada hora parece segundo,
o tempo passa e tenho medo.
Transito entre dois lados, exponho meu modo, me mostro!

Cê tá pensando que eu sou loki?

Te perdôo por quereres me ver aprendendo a mentir,
porque choras quando eu choro de rir!
Ah nem dá solidão, foge que eu te encontro.

Atenção: É preciso ter olhos firmes pra me ver.
Tudo é perigoso, tudo é divido maravilhoso.
Aos meus queridos amigos contem comigo e com a minha força. Se joga que eu te dou a minha mão!

Desculpe o auê, eu não queria magoar você. Esqueça...


Escrito por Ramon Dias às 00h25
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16/05/2009

Atuária

O risco que se corre por amar é imensurável e a dúvida é:
Vale a pena?
Talvez valha se o amor cair na sua rede e não você na dele,
caso oposto coloque ele no seguro!

Imponha restrições à você do tipo: despreze, não ligue todo dia!
Finja que saiu com as amigas e volte tarde... Isto é infalível!
Se isto não der certo, tente outros clichês ou recorra aos michês!


O valor da apólice varia de acordo com o grau de risco
quanto maior o histórico de decepções amorosas
somado ao tempo total do último relacionamento
Maior será o valor pago.

Desde lágrimas isoladas e sem muito valor à uma vida traumática e também sem muito valor.


Escrito por Ramon Dias às 01h32
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18/12/2008

Sem título

Hoje é quarta-feira, véspera de quinta, antevéspera de sexta que antecede o sábado e este, por sua vez, precede o domingo. Saí na rua sem destino certo, a procura do olhar que no passado ficou perdido. A moça de olhos negros e evasivos invadiu minha vida, fez morada em meu peito e como um inquilino inadimplente, sumiu no breu da noite fria e sem luar.

Os raios de sol procuram brechas entre as nuvens que tentam ocultá-los cada vez mais... Apesar disso o dia está bonito. Ando pelas ruas e vez ou outra me pego pensando em como foi que eu deixei as coisas chegarem ao estágio atual, estágio este insuportável para quem vê de dentro, de dentro das minhas pupilas dilatadas e agonizantes. Dentro de mim prevalece a incerteza do amanhã, da hora seguinte, do momento final. As pessoas passam por mim e nada acontece. Não acontece um olhar, um sorriso, um abraço. Pelo menos poderia acontecer um esbarro, um espirro no meu rosto.


Escrito por Ramon Dias às 02h10
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10/11/2008

CONCRETO | Secreto

Pop concreto secreto discreto

Incerto momento

Na esquina vejo o casal do oitavo andar

A noite fria pede aconchego

Tudo nada dentro

fora de mim não há claro

Escuto ruídos apaixonados

Sussurros

 

Amor desleal

ódio banal

sexo casual

 

A vida imita a arte inacabada

Sonhos perdidos no breu

Amanheceu

ela foi embora

Será que ela me namora?

Ela disse adeus...


Escrito por Ramon Dias às 01h48
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05/10/2008

Desarmada

Quando nossos olhos se cruzaram
Foi amor a primeira vista.
Estava por ai, andando sobre nuvens
A moça bonita apareceu
Lépida em noite cálida
Cabelos negros e corpo lívido
Alma limpa.

Olhinhos de gato
me deixam sempre a espera de uma surpresa
Desapego ao dono
Mera conveniência, o sexo é bom
a casa é aconchegante.

Na tarde gris deparo-me com o já esperado
Olhinhos de gato não regressou.

Hoje, anda por aí
procura outra que ande sobre nuvens
desarmada.


Escrito por Ramon Dias às 02h55
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07/09/2008

Encaixotado

Parei onde não devo, onde não me encaixo.
No mundo
Na realidade conturbada
A realidade irreal
O que não existe e me quer. Existe!
Me puxa para a caixa, a grande caixa maldita
cheia de mim, do que renego
o que não me quer.
O que me faz mal e alucina

O que eu tenho dentro da caixa
cheia de mim, deslocou
Desloquei-me para dentro do centro encantado.
Sem ar, sem luz
Com medo amado
Pregos me seguram, não sei!
Calma...
Cansei.


Escrito por Ramon Dias às 01h33
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17/08/2008

Frenesi

Sem você,

Não há bem que cure meu coração

Sofro calada.

Restam algumas palavras que traduzem a infelicidade

de uma vida cheia de pranto, solidão e arrependimento.

 

tem sido um tormento, desde que
o homem que amo não me ouve mais!

Arrepender-me de uma atitude sensata não foi o suficiente

Ele quer mais ou pior,
não me quer mais!

Hoje desfila com seu novo amor.

 

Os olhares ainda se cruzam.

 

Vim declarar minha saudade.

Não nego minha necessidade

longe de ti o sol não brilha

O mundo já não gira

tudo parou.

 

Um dia volta ao normal, você comigo

Nossa vida um feliz carnaval

sonho de uma mente alucinada.

 

Realize meu desejo

incansável de estar em teus braços
Corpo colado junto ao meu, ser pra sempre sua.
Aliada despida de pudores

ruborizada

Dona de teus beijos doces
Olhe pra mim.


Escrito por Ramon Dias às 02h17
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10/08/2008

Incompreensão

Mente como ninguém!
Constantemente.
Insatisfeito em falar a verdade,
Simplesmente
Constante mente.

Inevitavelmente
não há quem confie em Constante.
Foi largado pela mulher
rejeitado pelos filhos
Sobrou-lhe apenas os amigos e
sua fértil mente.

Sua mania incompreendida
não o torna uma serpente.
Gentilmente, Constante
Mente.


Escrito por Ramon Dias às 14h26
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03/08/2008

Inconsistência

Há ciência que possa arrumar o interior

tão desarrumado pela vida?

Vejo-me como algo inconsistente

Que hora deseja o amor e outrora deseja o ódio.

 

Há momentos em que o sorriso inesperado

daquele desconhecido que acabei de conhecer

Desperta-me vontade de conhecê-lo. É passageira,

bem como sou deste mundo.

 

Por vezes, sinto-me na obrigação de ser leal

com quem me ama.

Não sou comigo mesma!

Sou carta fora do baralho no meu jogo da vida.

 

Coesão entre o que há dentro e fora de mim

não existe. Incoerência

Instabilidade

Sustento a cada dia minhas teorias infundadas

que só me afundam.

 

Talvez eu deva seguir adiante

Retroceder jamais... Era necessário voltar alguns passos

Coloque-se no meu lugar, ele está desocupado!

O silêncio me diz que hora de parar.


Escrito por Ramon Dias às 01h12
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27/07/2008

Culpas

Fui eu quem escolhi a vida
ou ela me foi imposta?
Eu tenho culpas ou tenho um destino?
O que eu faço tem um porquê? Por quê?
Qual será meu fim, nos confins da terra
esquecido por quem não esqueço?
Tudo tem um motivo? Eu posso escolher?
A escolha me imputa culpas.


Escrito por Ramon Dias às 22h39
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